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Como Investir no Tesouro Direto?


No Brasil, não é comum encontrar pessoas conversando sobre investimentos, independente da classe social, esse assunto perde facilmente para os temas: futebol, mulheres, carros e outras coisas que podem parecer legais, mas que não agregam valor na vida de ninguém.

Se por um milagre surge algum tema sobre dinheiro nas rodinhas de conversa ou no cafézinho, a caderneta de poupança talvez o investimento mais próximo à qualquer trabalhador. Infelizmente, o público em geral não sabe que existem outras opções de investimento, com a mesma garantia da poupança e melhor, ainda proporcionam ganhos superiores.

Nesse artigo, vamos falar do Tesouro Direto, um investimento que foi batizado como a nova  poupança, segundo a maioria dos especialistas em finanças pessoais. A partir de agora, acompanhe nosso passo a passo e aprenda a investir no Tesouro Direto.

O Que É Tesouro Direto?

Tesouro Direto é um programa criado pelo Tesouro Nacional, seu objetivo é simples, trata-se da venda de títulos públicos a pessoas físicas. Existe um intermediador no processo de compra e venda desses títulos que a BM&FBOVESPA ( Antiga CBLC ).

Os títulos públicos são caracterizados como ativos de renda fixa, sendo também um investimento de baixo risco. O Governo Federal utiliza os recursos dos títulos públicos para o pagamento da dívida pública e também para aumentar seu próprios investimentos em importantes frentes como a educação, infra-estrutura e na área da saúde.

O Que É Dívida Pública?

Uma vez que o governo possui diversos compromissos para honrar, como citado anteriormente. Porém, ele não tem recursos suficientes para arcar com todos os gastos públicos ( ou simplesmente, dívida pública ). Parte da arrecadação do Governo é gerado pelos impostos, como por exemplo, IPVA, Imposto de Renda, IPI, etc. A outra parte surge a partir da emissão de títulos da dívida pública.

Os títulos emitidos possuem cinco categorias, são elas:

  • Título Pós-Fixados SELIC;
  • Títulos Prefixados;
  • Títulos Prefixados com Juros Semestrais;
  • Títulos Pós-Fixados IPCA;
  • Títulos Pós-Fixados IPCA com Juros Semestrais.

Tesouro SELIC – Antiga LFT

Esse é um título pós-fixado e seu rendimento acompanha a Taxa SELIC, essa é a taxa básica de juros da economia. A SELIC é um dos índices utilizados pelo governo para controlar a inflação. A vantagem do Tesouro SELIC frente ao CDB, por exemplo, é que o CDI geralmente está abaixo da SELIC.

Podemos dizer que esse título é o substituto mais indicado para quem quer abandonar a caderneta de poupança ou está diversificando sua carteira de investimento. É bom lembrar que quando a SELIC e o IPCA ( índice que mede a inflação ) estão próximos, seus ganhos podem ser praticamente nulos.

Tesouro Prefixado – Antiga LTN

Esse é um título prefixado, e como o próprio nome diz, você saberá exatamente quanto receberá no vencimento, desde que você cumpra o prazo combinado.

Além de saber o valor exato do rendimento do título, ainda há o benefício de comprar um título uma taxa superior a taxa base, pois se a SELIC sobe, você ainda tem uma rentabilidade, só que menor. No sentido oposto, se a taxa básica de juros cair, você pode ter ganhos maiores no curto prazo.

É fundamental que você mantenha o título até o vencimento, pois se precisar do dinheiro rapidamente e a SELIC baixar, você provavelmente terá um valor de resgate menor do que o valor investido.

Tesouro Prefixado com Juros Semestrais – Antiga NTN-F

Esse é um título prefixado, é semelhante a Tesouro Prefixado LTN, mas tem uma diferença: o investidor recebe juros semestralmente.

Alguns defendem que é vantajoso receber rendimentos de 6 em 6 meses, até acredito que seja, desde que você tenha um bom montante investido. Agora, por lado, se você tem um valor pequeno investimento, não vejo vantagens em pagar um percentual maior de imposto de renda só para receber duas vezes no ano.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais – Antiga NTN-B

Esse é um título pós-fixado com rendimento atrelados a a inflação, ou seja, valor do título adquirido é atualizado periodicamente pelo índica de inflação, o IPCA ( Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo ).

Ao adquirir esse título você receberá juros semestrais, esse juros serão pagos na conta que você tem em um corretora ou na conta corrente do seu banco ( caso ele ofereça compras no Tesouro Direto aos seus clientes pelo internet banking ).

Outro fator interessante do Tesouro IPCA+ é que, além de remunerar pelo IPCA, ele tem um índice prefixado que é somado aos rendimentos. Por exemplo: se a inflação está em 9% e o valor prefixado adicional é 5%, você terá um rendimento anual de 14%.

Esse título é ideal para a formação de patrimônio de médio a longo prazo, pois oferece rentabilidade superior a inflação, ou seja, trata-se de uma rentabilidade real. Geralmente, é possível escolher longos prazos para investir, pois existem títulos com vencimento em 5, 10 ou até 20 anos.

No curto prazo não é indicado fazer essa aplicação, pois os juros podem subir e você perderá dinheiro devido a oscilação constante dos índices de inflação.

Tesouro IPCA+ – Antiga NTN-B Principal

Esse título é semelhante ao apresentando anteriormente, porém não há pagamentos de juros periodicamente, somente em dois casos: no vencimento do título ou caso venda de forma antecipada.

Novamente, aqui expresso minha opinião e digo que não considero vantajoso deixar mais dinheiro para o leão ( imposto de renda ), só pra receber semestralmente e repito, se você tem valores pequenos investidos no Tesouro Direto.

Como Iniciar Meus Investimentos no Tesouro Direto?

Agora que você conhece as características dos títulos públicos, que tal fazer seu dinheiro trabalhar um pouco no Tesouro Direto?

1. Cadastro no Tesouro Direto

O primeiro passo é fazer um cadastro diretamente no site do Tesouro Direto. Se você tem uma conta em corretoras ou bancos que trabalham com títulos públicos, não precisa fazer o cadastro pelo Tesouro, o processo será iniciado pelo internet banking.

O Pulo do Gato

Existem bancos corretoras que cobram 0,10% ao ano para comercializar títulos públicos, mas há casos em que essa cobrança chega até 0,70% ano, os valores são baixos, mas para o investidor cada centavo vale. Na minha opinião, recomendo que procure corretoras que possuem tarifa zero para aplicar no Tesouro Direto.

2. Escolha Seus Títulos

Antes de escolher seus títulos é preciso definir que tipo de investidor você é. Quais são seus principais objetivos de curto, médio e longo prazo?

Para saber exatamente como adequar seu perfil ao títulos públicos, recomendo que responda o questionário que o próprio Tesouro Direto desenvolveu para auxiliar novos investidores. Acesse em Tesouro Nacional – Perfil do Investimento.

3. Seja Paciente e Atento

Como você acompanhou até aqui, os títulos são remunerados a partir de indicadores da economia. Por isso, não se assuste se um título desvalorizar no curto prazo e também não se empolgue nas valorizações. A importância está em acompanhar o mercado, o noticiário e decidir qual é o momento certo ou errado de comprar e vender seus títulos.

4. Use o Banco ou Corretora ao seu Favor

Cada banco e corretora tem seu próprio sistema para gerenciar compra e venda de títulos públicos. Uma interessante funcionalidade facilmente encontrada por aí é o investimento automático ou reinvestimento automático.

No investimento automático você define um valor X para comprar novos títulos, é semelhante ao que você faria se cadastrasse transações para depositar na poupança mês a mês. O reinvestimento trabalha com vencimentos do títulos, ou seja, assim que o título chega ao vencimento e retorna para a sua conta, ele será automaticamente aplicado no mesmo tipo de título que aplicou inicialmente.

No site do tesouro há uma lista com as instituições que possuem funcionalidades de investimento programado.

É Possível Comprar Diferentes Tipos de Títulos?

Sim, você pode. Inclusive, essa é um técnica de diversificação de investimentos que você pode adotar, pois os títulos podem gerar bons rendimentos no curto, médio e longo prazo. Por isso, é importante definir exatamente seus objetivos no planejamento financeiro e acompanhar seus títulos periodicamente.

Custos e Tributação

Todos os títulos públicos tem incidência de imposto de renda, mas mesmo assim, eles oferecem rentabilidade superior a caderneta de poupança. A tabela abaixo demonstra o percentual de imposto pelo tempo que o dinheiro permanece investido:

  • 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias ( até 6 meses );
  • 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias ( de 6 meses à 1 ano );
  • 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias ( de 1 até 2 anos );
  • 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias ( acima de 2 anos ).

Obs.: Se resgatar o investimento antes de 30 dias, terá que pagar IOF.

Custos Adicionais

A primeira taxa é obrigatória, trata-se da taxa de custódia cobrada pela BMF&BOVESPA, o valor da taxa é de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos.

A segunda taxa, essa sim pode ser zero, mas é bom procurar bem, pois a maioria das corretoras de 0,10% até 0,70% ao ano. No site do Tesouro Direto é possível conferir um ranking com as taxas praticadas pelas instituições financeiras.

Riscos do Tesouro Direto

Se alguém lhe disser que existe algum investimento sem risco, fuja imediatamente. Qualquer investimento tem seu risco, uns mais outros menos. No Tesouro Direto o risco é considerado baixo, na verdade os riscos se resumem a dois:

1. Risco de Mercado

Cada título sofre oscilações durante o dia. Isso significa que a compra dos títulos deve acompanhar seus objetivos de curto, médio e longo prazo. De forma prática, posso dizer que que títulos de longo prazos tornam-se desvantajosos quando resgatados antes do vencimento, pois o valor do título pode diminuir.

É claro que existe o outro lado da moeda. Estou falando do cenário onde a especulação de valores dos títulos públicos pode gerar uma alta rentabilidade. Esse tipo de coisa é mais tranquila para quem já tem uma boa experiência no mercado financeiro, ou seja, se você está começando agora, mantenha os pés no chão.

1. Risco de Crédito

Quem garante os títulos públicos? É o Governo Federal, pois ele emite os títulos, faz a venda e vai pagamento os juros até o vencimento. O risco está no ato do governo resolver dar um calote, isso pode ocorrer por diversos fatores, se ele quebrar, por exemplo.

Sabemos que a maior instituição financeira de uma economia é o Governo, ou seja, antes dele quebrar outras instituições quebraram primeiro e você saberá quando retirar o seu dinheiro do fogo.

Conclusão

O Tesouro Direto é, sem dúvidas, um dos investimentos mais promissores para os brasileiros atualmente. É fácil aplicar nesses títulos, seja por corretora ou pelo banco que já tem conta. Mesmo com o imposto de renda, taxa de custódia e eventual taxa das corretoras, ainda assim é possível proteger seu poder de compra frente a inflação.

Se você tem um bom dinheiro para investir, pode facilmente escolher títulos prefixados e apostar na queda da taxa SELIC ou pode aumentar seu patrimônio para base nos títulos atrelados ao IPCA.

Agora você já não tem mais desculpas para deixar o Tesouro Direto de lado!

Já investe em Tesouro Direto? O que acha desse investimento?

Créditos da Imagem de Dreamstime


<p>Analista de sistemas, pai e um cético que resolveu aprender um pouco mais sobre finanças pessoais e investimentos após anos de gastos desenfreados.</p>

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